Publicada por
-Tomás Duarte

Oiço tudo e não me atrevo a falar. Pego num cigarro para lutar com os meus medos e no acto de o acender, a minha escuridão acaba. O meu espírito enche-se do vício que percorre as minhas veias e o meu coração sofre a arritmia da nicotina que embuti no meu corpo. Destruo a minha vitalidade, a vitalidade que já não me é absolutamente nada porque já fiz o irremediável. Morro aos poucos com a vida que me desgasta. Não sou quem era e quem era não voltarei a ser. Cada vez estou mais forte para enfrentar os medos que desde sempre me aterrorizaram, levo a vida na mais pura serenidade e quem não quiser estar comigo, enfrentarei o meu destino sozinho, delinearei o meu caminho até chegar onde quero. Serei o monstro que nunca ninguém viu e que todos se arrependerão de me terem criado. Os sentimentos que ainda hoje tenho, serão vandalizados de vez e colocados no sítio mais profundo do universo, pois eu nascerei e ninguém me conseguirá parar. Ninguém conseguirá deitar-me abaixo pois o meu interior é mais forte do que o meu exterior demonstra. Mas ainda tenho sentimentos, e quando eles morrerem, voltarei a nascer.
This entry was posted on October 4, 2009 at 12:14 pm, and is filed under
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